ITA Psicologia e Saúde

O celular já faz parte da rotina das famílias. Ele ajuda na comunicação, oferece entretenimento, facilita o acesso à informação e, em muitos casos, também participa da vida escolar.

Mas existe uma diferença importante entre usar a tecnologia e fazer com que ela ocupe espaço demais na rotina da criança.

Quando o celular começa a substituir o sono, as brincadeiras, as interações presenciais, os estudos ou momentos em família, é hora de observar como esse uso está acontecendo.

A questão não é simplesmente proibir a tecnologia, mas entender o que ela está ocupando na vida da criança.

Existe uma idade certa para dar um celular para a criança?

Essa é uma dúvida bastante comum entre pais e responsáveis. E, segundo a American Academy of Pediatrics (AAP), não existe uma idade única que determine quando uma criança está pronta para ter um smartphone.

A decisão deve levar em consideração fatores como a maturidade da criança, a necessidade de comunicação, sua capacidade de lidar com conflitos e responsabilidades e a forma como a família pretende acompanhar esse uso.

Por isso, mais importante do que estabelecer uma idade fixa é pensar em como, por que e para que aquele celular será utilizado.

Como o excesso de telas pode afetar a infância?

O uso inadequado de mídias digitais pode ocupar o espaço de experiências importantes para o desenvolvimento infantil.

Brincar, conversar, movimentar-se, dormir bem, explorar o ambiente e interagir com outras pessoas são experiências fundamentais durante a infância. A própria AAP destaca que o uso excessivo ou inadequado das telas pode estar associado a prejuízos no sono, desempenho escolar, controle da atenção e redução do tempo dedicado a atividades físicas e interações familiares.

Por isso, vale observar não apenas quanto tempo a criança fica no celular, mas também o que está deixando de fazer por causa dele.

E as crianças neurodivergentes?

Para crianças neurodivergentes, a relação com as telas também precisa ser observada individualmente.

Cada criança apresenta necessidades diferentes e pode responder de maneira particular aos estímulos digitais. Por isso, não é adequado estabelecer uma regra única para todas.

O acompanhamento profissional pode ajudar a família a entender o comportamento da criança e pensar em estratégias que façam sentido para sua rotina.

Como criar uma relação mais saudável com o celular?

Algumas mudanças simples podem ajudar:

  • estabelecer momentos sem telas, como durante as refeições;
  • evitar o uso de dispositivos antes de dormir;
  • incentivar brincadeiras e atividades fora do ambiente digital;
  • acompanhar os conteúdos consumidos pela criança;
  • conversar sobre o uso da tecnologia;
  • estabelecer combinados que façam sentido para toda a família.

A AAP recomenda a criação de um plano familiar de uso de mídias, considerando a rotina, a idade e as necessidades de cada família.

O objetivo não precisa ser eliminar a tecnologia da infância. É encontrar um equilíbrio para que o celular seja uma parte da rotina, e não o centro dela.

Se o uso do celular tem gerado conflitos frequentes ou interferido na rotina, no comportamento ou nas relações da criança, buscar orientação profissional pode ajudar.

Na Ita Clínica Multidisciplinar, nossa equipe está preparada para acompanhar crianças e famílias em diferentes desafios do desenvolvimento.

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